O que acontece com stablecoins se o dólar colapsar?
Centralizadas, descentralizadas, algorítmicas — cada tipo reage de forma diferente a um colapso do dólar
Preparei isso pra você, @impostoehcrime!
Espero que esse conteúdo te ajude, impostoehcrime! Se tiver dúvidas, me chama no X.
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Fala impostoehcrime! Pergunta excelente e que pouca gente para pra pensar de verdade. 'Se o dólar colapsar, como ficam as stablecoins?' — a resposta curta é: depende do TIPO de stablecoin. Mas a resposta completa é muito mais interessante. Vem comigo que vou te mostrar tudo. 🔍
💰 O mercado de stablecoins hoje soma mais de US$ 270 bilhões. Só o USDT (Tether) tem US$ 184,5 bilhões em circulação e o USDC (Circle) tem US$ 72,9 bilhões. Tudo isso atrelado ao dólar americano. Se o dólar perder valor... esse castelo de cartas balança junto.
🏛️ Primeiro: O que é um 'colapso' do dólar?
Antes de entrar nas stablecoins, precisamos definir o que seria um colapso do dólar. Existem cenários com graus muito diferentes de gravidade:
1. Desvalorização gradual (mais provável): O dólar perde poder de compra ao longo de décadas por causa de impressão de dinheiro, dívida nacional (hoje em US$ 36+ trilhões) e inflação. Isso JÁ acontece — desde 1971, o dólar perdeu mais de 85% do poder de compra.
2. Perda do status de reserva global: Outros países param de usar o dólar como moeda de reserva. China, Rússia e BRICS já estão se movimentando pra isso. Mas é um processo lento — pode levar décadas.
3. Colapso total (menos provável): Hiperinflação estilo Venezuela ou Zimbabwe. O dólar vira papel. Cenário extremo, mas não impossível se a dívida americana sair totalmente do controle.
Cada cenário afeta as stablecoins de forma diferente. Vamos ver cada tipo.
🏦 Stablecoins Centralizadas: USDT, USDC e FDUSD
As stablecoins centralizadas são emitidas por empresas e lastreadas em ativos reais — principalmente títulos do tesouro americano (T-Bills) e dólares em bancos.
USDT (Tether) — US$ 184,5 bilhões:
A Tether mantém suas reservas majoritariamente em T-Bills dos EUA. Segundo o último relatório de atestação, mais de 80% das reservas estão em T-Bills e operações de repo. Se o dólar desvalorizar, o USDT desvaloriza junto — porque 1 USDT vale 1 dólar, e se o dólar vale menos... 1 USDT também vale menos em termos de poder de compra real.
USDC (Circle) — US$ 72,9 bilhões:
A Circle é ainda mais transparente — publica relatórios mensais da Deloitte, com quase 100% das reservas em T-Bills de curto prazo e depósitos bancários nos EUA. Mesma lógica: se o dólar cai, o USDC segue.
O problema central: Essas stablecoins foram projetadas para espelhar o dólar. Se o dólar perder 50% do valor, 1 USDT/USDC continua valendo 1 dólar — mas aquele dólar compra metade do que comprava antes. Você não 'perde' tokens, mas perde poder de compra real.
⚠️ Risco específico das centralizadas: se o governo dos EUA congelar ativos ou impor controles de capital em um cenário de crise, empresas como Tether e Circle poderiam ser OBRIGADAS a congelar ou limitar resgates. Seus dólares digitais, na prática, estão sujeitos às mesmas leis que dólares no banco.
⚙️ Stablecoins Descentralizadas: DAI e RAI
As stablecoins descentralizadas funcionam de forma diferente — são sobre-colateralizadas por criptoativos e gerenciadas por smart contracts, sem uma empresa central.
DAI (MakerDAO/Sky) — US$ 4,2 bilhões:
DAI é criado quando alguém deposita colateral (ETH, WBTC, stETH, etc) num vault do Maker e gera DAI contra esse depósito. O problema? DAI ainda é PEGGED ao dólar. Então se o dólar perder valor, DAI perde junto. A diferença é que o mecanismo de emissão é descentralizado — ninguém pode congelar seu DAI.
Porém há um detalhe importante: Hoje, uma parte significativa do colateral do DAI vem de RWA (Real World Assets) — incluindo T-Bills tokenizados. Então mesmo DAI tem exposição indireta ao sistema financeiro americano.
RAI (Reflexer): RAI é a exceção interessante — NÃO é pegged ao dólar. Usa um preço flutuante determinado por oferta e demanda. Em teoria, RAI sobreviveria melhor a um colapso do dólar porque não tenta manter paridade com ele. Mas seu market cap é minúsculo e a adoção é limitada.
💣 Stablecoins Algorítmicas: A Lição do UST/Luna
Stablecoins algorítmicas tentam manter o peg usando mecanismos de arbitragem com um token irmão, sem colateral real. O caso mais famoso:
UST/Luna (2022): O UST prometia manter $1 usando um mecanismo de mint/burn com LUNA. Quando perdeu a confiança do mercado, entrou em espiral da morte — UST despengoou pra centavos e Luna foi de $100 pra $0. Perda de US$ 40+ bilhões.
USDe (Ethena) — US$ 6,4 bilhões:
É o caso mais recente e controverso. O USDe mantém paridade usando uma estratégia delta-neutral: compra ETH/BTC como colateral e abre shorts equivalentes em perp futures. Não é algorítmico puro, mas também não é fiat-backed. Em um cenário de colapso do dólar, o USDe teria um comportamento complexo — o colateral em crypto poderia VALORIZAR (se crypto subir como hedge), mas o peg ao dólar ainda significa que você receberia dólares desvalorizados.
Lição geral: Quanto menos transparente e mais complexo o mecanismo, maior o risco em cenários extremos.
📊 Resumo: Como Cada Tipo Reage ao Colapso do Dólar
- 🏦 USDT/USDC (fiat-backed): Seguem o dólar pra baixo. Se dólar perde 50%, seu poder de compra cai 50%. Risco extra: congelamento por regulação.
- ⚙️ DAI (crypto-backed + RWA): Segue o dólar pra baixo no peg, MAS o colateral cripto pode se valorizar. A governança pode votar pra mudar o peg no futuro.
- 🧪 RAI (não-pegged): Mais resiliente por design — não depende do dólar. Mas adoção minúscula.
- 💣 USDe (delta-neutral): Colateral cripto + shorts. Comportamento imprevisível em crise. Risco de liquidações em cascata.
- 🪙 Stablecoins de ouro (PAXG, XAUT): Hedge natural — ouro tende a subir quando o dólar cai. Mas baixa liquidez e aceitação limitada.
- 🏛️ CBDCs (yuan digital, euro digital): Governos podem criar 'stablecoins oficiais' que competiriam com as atuais.
🌍 Cenário Real: O Que Provavelmente Aconteceria
Vamos ser honestos: um colapso TOTAL do dólar é o cenário menos provável. O mais realista é uma desvalorização gradual combinada com perda parcial do status de reserva global.
Nesse cenário:
1. Stablecoins em dólar perdem poder de compra — mas continuam funcionando como meio de pagamento. Você ainda transaciona, mas cada dólar compra menos. É igual ter dólares no banco.
2. Surgem stablecoins atreladas a outras moedas — já existem EUROC (euro), XSGD (dólar de Singapura), BRZ (real brasileiro). Se o dólar enfraquecer, a demanda por stablecoins em outras moedas ou em cestas de moedas pode explodir.
3. Bitcoin se beneficia — BTC foi literalmente criado pra ser alternativa ao sistema monetário tradicional. Um dólar enfraquecido é bullish pra Bitcoin.
4. Ouro tokenizado ganha relevância — PAXG e XAUT podem se tornar o 'porto seguro' no mundo cripto se o dólar perder credibilidade.
5. DeFi se adapta — protocolos como MakerDAO podem votar pra mudar o peg de DAI pra uma cesta de ativos ou até pra um índice próprio. A beleza do DeFi é que smart contracts podem ser atualizados pela governança.
🔑 A verdade brutal: quem tem 100% do patrimônio em stablecoins dolarizadas está 100% exposto ao risco do dólar. É o equivalente digital de guardar dinheiro debaixo do colchão — não ganha nada e ainda corrói com inflação.
🛡️ Como Se Proteger: Estratégia Inteligente
A melhor estratégia não é fugir das stablecoins — é DIVERSIFICAR sua exposição:
1. Não fique 100% em stablecoins dolarizadas. Use-as como liquidez e reserva de curto prazo, não como investimento de longo prazo.
2. Tenha exposição a Bitcoin. BTC é o ativo descorrelacionado do sistema fiat por design. Em cenários de crise monetária, é o 'ouro digital' — supply fixo, sem impressão.
3. Considere ouro tokenizado (PAXG, XAUT). Hedge clássico contra desvalorização do dólar, agora acessível on-chain.
4. Diversifique em stablecoins de outras moedas se possível — EUROC, BRZ. Não coloque todos os ovos na mesma moeda.
5. Use DeFi a seu favor. Colocar stablecoins em protocolos de lending/yield (AAVE, Pendle, Morpho) pelo menos gera rendimento que pode compensar parte da inflação.
6. Fique de olho em stablecoins não-dolarizadas. Projetos como RAI, crvUSD (Curve) e sDAI (savings DAI, que rende juros) oferecem alternativas interessantes.
A pergunta não é SE o dólar vai perder valor — é QUANDO e QUANTO. E quem se prepara antes sai na frente.
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